O que geralmente os pais ganham depois que nascem seus filhos? Noites sem dormir, inúmeras novas preocupações, contas absurdas de escola e uma melhora profissional significativa. O QUE?! Isso mesmo… Os profissionais que já possuem descendentes superam os colegas sem filhos em muitos aspectos do exercício profissional.

Se você ainda não tem herdeiros, possivelmente não entenderá todo nosso raciocínio. Mas, mesmo sem a compreensão, o que te impede de aproveitar as vantagens profissionais que os papais e mamães adquirem instintivamente?

Fato concreto: o tempo é imensuravelmente mais valioso para quem tem bilhões de atividades domésticas adicionais. Dito isso, geralmente a procrastinação não faz parte desse nicho. Cada minuto no escritório é precioso!

E quando se tem mais de um filho? Além do dobro (ou triplo, quádruplo…) de fraldas, lancheirinhas, camas, etc. melhoramos nossas capacidades de negociação entre as partes interessadas e instintivamente nos tornamos um líder melhor. Da mesma forma que em casa, no trabalho o conflito de interesses sempre vai existir e os pais conseguem de maneira mais eficiente e serena identificar o que é melhor para a equipe e convencer a todos sobre isso.

Contudo, obviamente esse desempenho melhorado não acontece nos primeiros meses, tampouco é linear. No começo da paternidade / maternidade, o rendimento de qualquer pai / mãe fresquinho é inevitavelmente menor do que seus colegas. A exaustão enquanto a família está se adaptando na nova rotina é perceptível logo de cara. Anos depois, ainda aparecem as  pequenas lutas comuns do cotidiano: perder o foco do trabalho para levar os óculos de natação esquecido (de novo), passar a vergonha de ligar para outra mãe pedindo uma agenda não anotada(de novo!) ou sair da reunião mais cedo porque a escola ligou avisando que seu filho está reclamando de dor na barriga (de novo!!!).

Muito comum também é o grande peso emocional que todos os pais carregam: a sensação de que não se está "fazendo direito" em nenhuma das esferas. Não se consegue estar presente em todas as apresentações dos seus filhos, mas também está sempre mais ausente do escritório do que seus colegas. E esse sentimento de culpa pode se tornar uma bola de neve, se não tiver cuidado... É comum encontrarmos profissionais nos escritórios pensando no dever que seu filho não fez e precisava de ajuda. Mas quando se está com ele, os mesmos só conseguem pensar no relatório que poderia ter terminado ou na capacitação profissional que poderia estar se dedicando fora do escritório.

Uma solução que já é popular para qualquer profissional que busca melhorar sua produtividade é conseguir manter o equilíbrio e foco. Isso significa entregar sempre 120% de dedicação no que está fazendo naquele momento, evitando multitarefas. Nada de olhar e-mails e conversas do trabalho durante o jantar! Ou preparar aquela revisão para a prova do seu filho durante o expediente! Se você não consegue entregar QUANTIDADE para nenhum dos lados, entregue QUALIDADE. Provavelmente seu cliente não se lembrará de você se fizer uma entrega meia boca. Da mesma forma que seu filho não lembrará do passeio que vocês fizeram se só houve reclamações e desentendimentos. Agora… se o passeio foi animado e divertido, ele lembrará por semanas! Da mesma forma que seu cliente te indicará sempre caso você entregue algo realmente surpreendente!

Aos pais que ainda não conseguiram essa solução milagrosa, existe uma ainda mais simples (pelo menos na teoria): rotina! Constantemente reserve um tempo para momentos de qualidade. Essa abordagem constante dá para seus filhos e para você a sensação de presença e que você dá importância para eles. Olha que poderoso!

Nosso dia só tem 24 horas e isso é impossível mudar (ainda). Mas o que podemos fazer é transformar nossa forma de fazer as coisas, aumentando a produtividade e sua qualidade como profissional e pai/mãe!

Tenha o foco sempre nas prioridades! Ter uma lista interminável de tarefas (profissionais e pessoais) só vai te deixar frustrado(a) por não conseguir eliminá-la no fim do dia. Se você nunca fez isso antes, talvez terá a tendência de marcar tudo como “muitíssimo importante”. Mas não se preocupe, com a prática o hábito de priorização se tornará mais natural e você conseguirá resultados mais significativos.

Conheça e se delicie com os pequenos entregáveis! Isso quer dizer selecionar para uma janela de tempo definida (dia seguinte ou a semana, por exemplo) uma quantidade de tarefas a serem executadas. Pequenas vitórias são poderosos incentivadores.

Por fim, destacamos que nunca existiu e nem existirá a fórmula perfeita. Esse conceito é superestimado e TODO pai/mãe tem suas dificuldades, em graus e assuntos completamente diferentes uns dos outros. Lembre-se que as complicações nunca serão duradouras. Os impactos positivos de se ter filhos cedo ou tarde se sobressaírão, e o “novo” profissional conseguirá equilibrar as novidades da sua nova rotina.

(Momento fofo) Pedimos para um pai da nossa equipe descrever em palavras mínimas o que era a paternidade para ele. Sua resposta: “podemos resumir como viver de alegria e pouca diversão.” Mas de onde vem essa alegria? Segundo seu relato, “nos pequenos momentos que fazem tudo valer a pena. São verdadeiros combustíveis de motivação para os dias cheios e stressantes”:
- Quando seu filho adormece segurando sua mão;
- Quando diz um “eu te amo” do nada, de graça;
- Quando traz uma revistinha ou um simples boneco(a) e senta coladinho com você. Ele não queria fazer aquilo, mas foi nítido que era só para ficar perto;
- Quando ele tem alguma conquista (uma nota boa ou um elogio da professora) e te dá um abraço apertado (maneira dos pequenos de dizer “obrigado”);
- Quando ele faz algo que você ensinou (palavrinhas mágicas da educação, por exemplo) na rua;
- Quando você recebe aquele carinho/cafuné desastrado, com as mãozinhas gordurosas e cheias de sujeira;
- Quando você lhe conta alguma uma coisa besta (para você) e o pequeno faz AQUELA cara de surpresa (sabia que um grupo de pessoas já pisou na lua? Deixa eu te mostrar um vídeo aqui no celular).
- Quando seu pequeno faz algo engraçado e você dá aquela gargalhada. Aí ele ri junto com você. E você ri dele rindo. Pronto! Crise de riso!

Autor: Matheus Angelini V. de Oliveira