O controle é algo essencial para todo gestor. É natural precisar saber como anda o desempenho das atividades de cada um da equipe, com domínio do que já foi concluído e o que ainda está pendente. Porém, se for excessivo, o controle torna-se tóxico e prejudicial ao time, causando desconforto e atrapalhando mais do que o ajudando.

Mas todo extremismo não funciona. Liberdade demais também pode gerar falta de integração, insubordinação e falta de objetividade nas ações individuais.

Como então chegar em um meio termo que seja o mais eficiente para sua equipe?

Existe um conceito chamado de liberação corporativa que vem ganhando força no mercado e mostra as vantagens de os indivíduos terem total liberdade e responsabilidade para realizar ações que eles (e não um superior) acreditam ser melhores para a empresa. Nesse contexto, o papel do gestor deve mudar bastante do que vemos tradicionalmente. Ele age muito mais como um líder incentivador, retirando todos e quaisquer impedimentos que a equipe possa ter para dar o melhor de si. (observação: Algo lhe pareceu familiar? Sim, isso já bastante comum na gestão ágil)

Um dos pontos importantes importantes para essa estratégia funcionar é o gestor (e toda equipe também) estar aberto ao enfraquecimento do próprio ego. Calma! Isso não quer dizer minimizar a auto-estima e o respeito por ele! Mas significa que, se quiser fazer a autogestão funcionar, os funcionários devem ter confiança em si mesmo e em suas ações. E para isso ganhar força o gestor deve estar ciente de que nem sempre suas soluções são as melhores… Provavelmente algumas até são, mas é extremamente importante para a autoconfiança dos demais que eles consigam colocar suas ideias e opiniões em prática!

Uma prática bacana é orientar qual trabalho a equipe irá realizar, mas não como. Quem tem competência não precisa ter um gestor em cima, monitorando como fazer seu trabalho. Mas é fundamental saber porque e onde o time pretende chegar fazendo o que lhes foi designado. Dessa maneira a autogestão permite que os colaboradores sejam autêntico com suas ações e, principalmente, performem conforme suas forças e melhores habilidades! Não enxergar isso significa roubar o tempo dos colaboradores, diminuir a produtividade que eles seriam capazes e, o pior de tudo, negligenciar os talentos individuais!

Uma ferramenta ideal para auxiliar a autogestão de times são quadros de controle. No IVUUP existem quadros chamados de VUUPs. Com eles você consegue ter uma visão geral dos trabalho que está envolvido e o andamento das atividades dos companheiros de equipe. Esses pequenos controles não são invasivos, mas cruciais para não chegarem ao outro extremo que é a falta de foco do time!

Caso seu time se interesse por se tornar autogerenciado, seguem algumas dicas! A liberação corporativa precisa ter uma estratégia para ser implementada, pois sem uma cultura organizacional voltada para uma gestão participativa e horizontal, a mudança brusca pode ter resultados frustrantes e eliminar qualquer chance de transição.

1) Comunicação eficiente. É importante que os membros do time tenham uma comunicação constante e fluida. Isso não significa atrapalhar o rendimento do colega a todo momento, mas estabelecer cerimônias (conhece as diárias do SCRUM? Ou que tal pontos de controle logo cedo e no fim do dia?) para que a comunicação nunca falte e tenha o melhor aproveitamento possível. Se a informação tem uma relevância que precise ser resgatada posteriormente, é importante estabelecer um canal de comunicação de comum acordo para que ela não se perca e possa ficar registrada, não só na cabeça do time!

2) Responsabilidade (gosto mais do termo accountability). O time precisa saber que pode contar com você. E você conta com cada um dos demais. Esse sentimento mútuo de responsabilidade gera resultados incríveis de produtividade e desempenho. A melhor dica para melhorar esse ponto é verificar como é feita a distribuição de tarefas entre o time e se o entendimento de cada delas está claro o suficiente entre todos.

3) Transparência. Nada de esconder e “deixar quieto” algum problema. O problema de um pode ser o problema de outro colega no futuro, e se alguém está tendo alguma dificuldade, a solução pode estar do lado e poderia nem ter sido levantada se TODOS não soubessem o que está acontecendo!

4) Processos bem definidos. Procurem entender os gargalos que o time enfrenta na execução dos trabalhos. A criação, divulgação e constante revisão de um fluxo de trabalho ajudam no foco, direcionando os trabalhos e evitando possíveis procrastinações. A etapa de revisão é importante, porque como já dito a autonomia de COMO fazer os trabalhos é importante, e sempre ideias novas podem surgir.

5) Métricas. O que não se mede, não se melhora! É fundamental ter parâmetros para saber o rendimento do time e dos colaboradores individuais. Só assim consegue-se prestigiar os melhores e empoderar aqueles que precisam atingir um desempenho melhor.

Com uma equipe sabendo se comunicar, confiar uns nos outros, possuir a visão do todo, saber o que fazer e como medir seus sucessos, tem o ambiente ideal para se tornar autogerenciável!

Como já dito, extremos não funcionam. Times sem o menor controle facilmente fogem do foco pretendido. O IVUUP é perfeito para não ser necessário um gestor no pescoço dos funcionários, pois os quadros garantem transparência, comunicação e confiança entre os membros do time!

Autor: Matheus Angelini V. de Oliveira